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27/08/2014

Conflitos no Chade: sem luz no fundo do túnel (Pag 28 C.A)

Nos seus 48 anos de história como país independente, o Chade nunca teve uma mudança de Governo de forma democrática e livre. Todas as mudanças no comando do Estado fizeram-se sempre de uma forma violenta, através de um golpe militar. O que aconteceu em N’Djamena, no passado mês de Fevereiro é uma repetição exata daquilo que se passou, em Abril de 2006, quando um punhado de rebeldes, procedentes também do Sudão, entrou na capital, com o único objectivo de expulsar Idriss Deby do poder. Trata-se de mais um episódio da trágica história de um país que conta os seus anos de independência por épocas de guerra civil, rebeliões e golpes militares. No passado mês de Fevereiro, os rebeldes estiveram quase a consegui-lo. Só a perícia militar de Idriss Deby e a ajuda que recebeu do Exército francês impediram a sua derrota.
Curiosamente, todos os golpes militares que tiveram êxito partiram sempre do Sudão. Hissène Habré iniciou a sua ofensiva em Darfur. O próprio Deby organizou a tomada do poder no mesmo lugar. É a mesma história, repetida uma e outra vez: organiza-se a revolta do outro lado da fronteira – sempre com a conivência e o apoio do Sudão e o beneplácito da França –; cruza-se o país de leste para oeste e entra-se em N’Djamena. Assim de simples. Tudo depende da posição que tomem Cartum, por um lado, e Paris, pelo outro. Nesta ocasião, falhou uma das partes: a francesa. O apoio sudanês aos rebeldes compreende-se pela ajuda que o Governo chadiano está a dar aos rebeldes de Darfur que lutam contra Cartum; enquanto o apoio francês a Idriss Deby obedece a razões estratégicas. Para a França é capital que Deby continue à frente do país, porque a sua queda suporia uma grande instabilidade em toda a zona.



Poder a qualquer preço

O caso do Chade é, por um lado, uma peça do complicado quebra-cabeças que configura hoje a região do Darfur e, por outro, a desgraçada consequência da ambição dos seus dirigentes para se aproveitarem do ouro negro que alberga o seu subsolo.
A aliança dos três movimentos rebeldes que, em Fevereiro passado, atravessou o país, de leste para oeste, em apenas cinco dias, foi uma aliança de circunstâncias, criada à força, sob pressão do Sudão, para a ocasião. Mas, depois da derrota, a coligação desfez-se, para dar lugar a uma nova. No passado dia 28 de Fevereiro, o general Mahamat Nouri, líder da UFDD (União de Forças pela Democracia e pelo Desenvolvimento), uma das partes aliadas, anunciava a dissolução desta e apresentava uma nova aliança, chamada Aliança Nacional (AN), formada pela própria UFDD, liderada por ele mesmo; pela UFDD-Fundamental, liderada por Abdelwahid Abdoul Makaye; e pela Frente para a Salvação da República (FSR), de Ahmat Soubiane. A RFC (Reunião de Forças para a Mudança) de Timane Erdimi, sobrinho do presidente, fica fora desta nova coligação, embora Nouri não descarte a hipótese de colaborar com ela. Em todo o caso, esta reorganização evidencia as desavenças entre os dois principais líderes da aliança que esteve perto de conseguir o poder: Timane Erdimi e Mahamat Nouri. Erdimi é sobrinho do presidente Deby, da mesma etnia que ele, um zaghawa; enquanto Nouri é um gorane, a etnia do ex-presidente Hissène Habré, deposto a seguir ao golpe de Estado levado a cabo por Idriss Deby, em 1990. Ambas as etnias sempre foram inimigas entre si, pelo que uma aliança entre elas pouco podia durar.
Por outra parte, esta reorganização da oposição armada não é nada de novo. Já houve imensas reorganizações; de cada vez com um novo nome e com diferentes componentes; mas sempre com o mesmo objectivo: depor Idriss Deby. Uma vez conseguido o fim que justifica a aliança, não haverá mais nada que a motive e acontecerá a divisão, já que o objectivo de cada um dos seus líderes não é devolver ao país o caminho da liberdade e da justiça, mas afastar o actual presidente para ocupar de qualquer modo o seu lugar.

Ou Deby ou o caos

Toda esta andança de alianças e rupturas, de nomeações e destituições, só mostra uma coisa: que neste momento a situação política é caótica e que não se vislumbra nenhuma alternativa clara ao presidente chadiano; pelo menos no seio da rebelião armada. De facto, o apoio que está a receber de Paris obedece principalmente a que a França não vê nenhuma alternativa clara, se Deby deixar o poder. Das muitas afirmações que o próprio presidente chadiano fez durante a campanha eleitoral em 2006, há pelo menos uma com a qual todos os observadores estão de acordo, especialmente a França: «Ou eu ou o caos», proclamava o mandatário naquela ocasião, fazendo de tal afirmação uma verdadeira palavra de ordem eleitoral. Tal como estão as coisas no seio da rebelião, parece, desgraçadamente, que é verdade. Se o golpe de Estado de Fevereiro passado tivesse tido êxito, seguramente que hoje o Chade estaria mergulhado no caos e na guerra civil, com os líderes rebeldes lutando entre si para conquistar o poder.
Por outro lado, a presidência do país é um lugar muito cobiçado, desde que, em Outubro de 2003, começou a exploração de petróleo na região de Doba. É um docinho que atrai demasiado e que deu origem a uma série de dissensões e disputas, inclusivamente no círculo mais próximo do presidente Deby. Coincidindo com o início da exploração do ouro negro, Idriss Deby modificou a Constituição para poder ser reeleito indefinidamente e perpetuar-se no poder. Deby nunca deixará o poder por via democrática, o que leva a que haja cada vez mais grupos que vêem a solução armada como única saída. Entretanto, é o povo chadiano quem sofre com as consequências.
Deby está cada dia mais sozinho. Os zaghawa que o querem ver longe do «Palácio Rosa» (denominação popular do palácio presidencial) aumentam sem cessar. Criticam-no também por não estar a ajudar suficientemente os seus irmãos zaghawa que lutam no Darfur contra o Governo sudanês.

Oposição democrática

Se a oposição armada está dividida, a oposição democrática, que em 2006 boicotou as eleições, encontra-se atualmente na sombra. Os seus líderes ou estão na cadeia ou fora do país ou não se sabe nada deles. No passado 20 de Fevereiro, a Amnistia Internacional mostrava a sua preocupação pela sorte de Lol Mahamat Choua, Ngarlegy Yorongar e Ibno Mahamat Saleh, três dos principais líderes da oposição, detidos a 3 de Fevereiro, em N’Djamena. O primeiro, isolado numa prisão militar; e o segundo, a quem a França ofereceu asilo político, aparecido finalmente nos Camarões, depois de ter estado uns tempos em paradeiro desconhecido. Como se fosse pouco, no dia 15 de Fevereiro, o Governo chadiano decretava o estado de emergência, uma medida que autoriza os governadores regionais a controlar as movimentações da população e dos veículos e a proibir a maioria das reuniões, que permite ao Governo controlar o que se publica na imprensa e impõe um recolher obrigatório da meia-noite às seis da manhã. A imprensa privada não demorou a reagir e decidiu suspender todas as suas publicações, enquanto durar o estado de emergência, considerando-o um ataque mais às liberdades fundamentais.

A implicação do Sudão

Não se pode tratar o tema chadiano como uma simples questão interna. Para entendê-lo na sua totalidade é preciso cruzar a sua fronteira leste e olhar para o Sudão. O presidente chadiano, Idriss Deby, pertence à etnia zaghawa, uma das principais etnias que povoam a região do Darfur. Quando, em 1990, alcançou o poder, fê-lo exactamente da mesma maneira que intentaram os rebeldes, no passado mês de Fevereiro. Chegou vindo do Sudão, naquela ocasião com a conivência da França e à frente de um pequeno exército de soldados zaghawas. Muitos daqueles que, naquela ocasião, o ajudaram a conquistar N’Djamena, são os mesmos que, hoje, estão a enfrentar o Governo sudanês. Desde que começou o problema do Darfur e os rebeldes se levantaram em armas contra Cartum, Deby deparou-se com um grande dilema: por um lado, não podia defrontar o seu vizinho sudanês, mas, por outro, não podia deixar abandonados aqueles que, a seu tempo, tinham tornado possível ser ele hoje o presidente do Chade.
Deby sempre negou que o Chade estivesse a apoiar os rebeldes do Darfur; mas o certo é que lhes deu armas e deixou que utilizem o território chadiano como base e refúgio. De facto, alguns dos zaghawas que combatem no Darfur contra os soldados governamentais sudaneses fizeram parte da sua própria guarda presidencial. Este jogo para os dois lados virou-se contra ele. Os zaghawas que hoje lhe fazem frente (entre os quais está o seu próprio sobrinho, Tom Erdimí) fazem-no não só pela questão do petróleo, mas também porque se sentem defraudados e criticam-no por ter deixado em má situação os seus próprios irmãos.

Presença europeia

O Sudão sempre se opôs a um desdobrar de forças de segurança no Darfur. O facto de que o ataque a N’Djamena de Fevereiro passado tenha coincidido com o mesmo dia em que se tinha de desdobrar a EUFOR não é casualidade. A presença de soldados europeus no Darfur impediria ou dificultaria os seus planos de limpeza para poder explorar todos os recursos petrolíferos e aquíferos da zona. Com efeito, a EUFOR não pode entrar em território sudanês, está obrigada a permanecer em território chadiano ou centro-africano, sem autorização para cruzar a fronteira. Além disso, não se pode esquecer que mais de dois terços dos militares que compõem a missão são franceses; e o facto de que a França tenha apoiado Idriss Deby nas duas ocasiões em que N’Djamena se viu atacada, coloca em dúvida a sua neutralidade. Apesar de tudo, a presença da EUFOR servirá, se não para evitar, ao menos para mitigar as consequências de uma situação política tão instável e com tão poucas perspectivas de futuro. Terá de passar esta geração para que o Chade possa vislumbrar a luz ao fundo do túnel. Infelizmente, um túnel demasiado comprido.

25/08/2014

OMS registra 1.427 mortes pelo vírus ebola na África

Vírus segue avançando na Libéria e novas mortes geram preocupação da República Democrática do Congo


Dados divulgados nesta sexta-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que 1.427 pessoas morreram pelo vírus ebola. Todas nos países Serra Leoa, Libéria, Guiné-Conacri e Nigéria, do oeste da África. Atualmente existem 2.615 infectados pela doença nos quatro países.
A OMS voltou a ressaltar que não há necessidade de restrições ao comércio nem ao trânsito nos países que concentram o surto de ebola. A instituição só recomenda restrições de movimentação para pessoas contaminadas ou com suspeita de contaminação pelo vírus ebola.

Ebola avança na Libéria e gera preocupação na República Democrática do Congo
A epidemia segue ganhando espaço na Libéria, o país mais afetado pelo vírus. Pela primeira vez, foram registrados casos de Ebola no sudeste da Libéria, perto da fronteira com a Costa do Marfim. 1.082 pessoas foram registradas com a doença no país, das quais 624 morreram.
Nesta sexta-feira, o vice-diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a segurança sanitária, Keiji Fukuda, alertou que o trabalho de frear a epidemia de Ebola "não será fácil" e levará "vários meses":
– Esta tarefa não será fácil. Esperamos vários meses de trabalho árduo, vários meses lutando contra esta epidemia – disse Fukuda durante uma coletiva de imprensa em Monróvia, a capital da Libéria.
Na República Democrática do Congo, 13 pessoas morreram vítimas de uma febre de origem indeterminada, despertando mais preocupação. Autoridades congolesas indicaram que a febre hemorrágica está sob controle. O ministro da Saúde, Félix Kabange Numbi, disse poder "garantir que a situação está sob controle em Boende, e especialmente no eixo de Lokolia", locais situados na província do Equador.
A situação na Nigéria, que ainda não é considerada como surto, está piorando. Já são 16 casos com cinco mortes. Em Serra Leoa foram registrados 910 infectados e 392 mortes, enquanto a Guiné-Conacri contabilizou 607 casos da doença, com 406 mortes.
Nesta semana, um fio de esperança apareceu com a melhora significativa do estado de saúde de um médico e de uma enfermeira que recebem um soro experimental americano, o ZMapp.
Nos Estados Unidos, as duas primeiras pessoas que receberam este soro experimental, um médico e uma missionária da organização beneficente Samaritan's Purse, saíram curados do hospital, onde haviam sido internados depois de serem repatriados.

Vida Selvagem na África

A África é bem conhecida pela sua vida selvagem nas savanas e florestas equatoriais. Existem cerca de 45 espécies de primatas, incluindo os chimpanzés e gorilas. São mais de 60 espécies de predadores carnívoros como os leões, chitas, leopardos, hienas, cães selvagens, raposas, chacais e outros. Esses animais são vitais para a manutenção do equilíbrio ecológico das áreas em que habitam. Muitas espécies de herbívoros, aves, peixes, répteis e vários outros animais compõem o rico ecossistema africano.
A partir dos anos 1940 o homem fez reduzir consideravelmente a população de animais na África, de forma direta ou indireta. Isso fez com que muitas espécies entrassem em processo de extinção. Nos últimos anos vem crescendo os esforços de proteção aos animais africanos e aumentado o policiamento de reservas demarcadas. 


Um leopardo observa sua presa. O leopardo (Panthera pardus) é um dos grandes felinos que habitam as savanas africanas. Podem chegar a mais de 2 metros de comprimento (excluindo a cauda) e pesar até 90kg. Um animal solitário que costuma caçar à noite e passar o dia em cima de árvores.

Leões africanos. Seu principal habitat atual são as savanas africanas, principalmente no Kenya e naTanzânia. Hoje, fora da África, apenas a Índia ainda possui leões em seu habitat natural, no santuário da floresta de Gir. Há dez mil anos, entretanto, os leões habitaram vastas regiões da África, Europa e Ásia.

Um guepardo (acinonyx jubatus) move-se na savana africana em busca de caça. Também conhecido como chita, é o mais veloz animal terrestre, podendo alcançar mais de 100 km/h.

24/08/2014

Escravidão na África

A escravidão na África não foi mais branda e humanitária que o trabalho escravo exercido na América, porém começou bem antes da chegada dos europeus na África.

Durante muito tempo, acreditou-se na ideia de que a escravidão ocorrida na África fora mais branda e humanista se comparada à escravidão praticada na América até o século XIX. Muitos defendiam a tese de que o cativo era absorvido pelo povo que o capturava, caracterizando uma escravidão exclusivamente de cunho doméstico, mas, conforme veremos, a escravidão na África não ocorria somente neste formato.
No presente texto, nosso principal objetivo é analisar a escravidão existente na África e comparar com a escravidão presente no Novo Mundo. No entanto, não podemos comparar a brutalidade da escravidão na África com a da escravidão na América. “Qual escravidão foi mais brutal com os escravos, a africana ou a americana?”. Essa pergunta não tem resposta, pois os parâmetros utilizados por cada forma de escravidão pautam-se na realidade social, política e cultural específica de cada continente.
Porém, sabemos que a relação entre senhor e escravo, tanto na África como na América, sempre foi baseada na violência, nos castigos e nas punições disciplinares. Além disso, as pessoas foram retiradas dos meios em que viviam, separadas de suas famílias, obrigadas a aprender outros idiomas e outros costumes, além de terem sido humilhadas e torturadas. Todas essas características foram chamadas de processo de desterritorialização, que ocorre quando indivíduos são retirados à força de seus territórios para outros territórios muitas vezes inóspitos.
A partir de então, é preciso se conscientizar de que toda forma de escravidão é desumana e violenta. O escravo se encontrava em posição de subordinação e nunca foi tratado como igual, por isso devemos questionar a ideia de que na África a escravidão havia sido mais branda e humanitária. 
A escravidão africana se configurou como cruel e desumana, segundo a historiadora Marina de Melo e Souza[i]
“Desde os tempos mais antigos, alguns homens escravizaram outros homens, que não eram vistos como seus semelhantes, mas sim como inimigos e inferiores. A maior fonte de escravos sempre foram as guerras, com os prisioneiros sendo postos a trabalhar ou sendo vendidos pelos vencedores. Mas um homem podia perder seus direitos de membro da sociedade por outros motivos, como a condenação por transgressão e crimes cometidos, impossibilidade de pagar dívidas, ou mesmo de sobreviver independentemente por falta de recursos. [...] A escravidão existiu em muitas sociedades africanas bem antes de os europeus começarem a traficar escravos pelo oceano Atlântico”(SOUZA, 2006, p. 47 apudMOCELLIN; CARMARGO, 2010, p. 174).
As pessoas se tornavam escravizadas na África principalmente por guerras. Outra forma de escravidão presente na África foi a escravidão por dívida: o indivíduo endividado passava a ser escravo do credor da dívida.
Sabemos que a escravidão já existia na África antes da chegada dos europeus no continente, mas a escravidão se tornou um negócio lucrativo tanto para os africanos que escravizavam, quanto para os europeus que traficavam escravos. A acentuação da escravidão na África aconteceu porque as vendas de escravos para a América se tornou uma lucrativa atividade.

Guerra Civil na Somália (Pag 28 C.A)

Em sua história recente, o território somali foi mais uma das várias regiões subordinadas ao mando e à exploração da ordem imperialista. Nesse caso, a porção norte do território ficou sob o mando da Inglaterra e a região leste dominada pelos italianos. Chegada a década de 1960, sob o contexto de descolonização, os dois espaços conquistaram a sua autonomia e se unificaram para a formação de um único estado independente.

Ao longo de sua primeira década de independência, a Somália foi conduzida por um governo de orientação democrática. Isso até 1969, quando o general das Forças Armadas, Mohamed Siad Barre, promoveu um golpe de estado que o transformou em líder máximo do país nos vinte anos seguintes. No ano de 1991, o general acabou sendo destituído do posto ditatorial pela força militar imposta pelos grupos políticos armados que se formaram durante esse tempo.


Conhecido como “warlords”, esses grupos se dividem em três principais facções: o Movimento Nacional Somali (SNM), o Movimento Patriótico Somali (SPM) e o Congresso Somali Unido (USC). Tendo cada um dos “warlords” reivindicando o poder para si, o cenário político somaliano mergulhou em uma profunda crise em que nenhuma autoridade central ou conciliadora tivesse capacidade de alcançar a estabilidade nacional.

Não bastando isso, em maio de 1991, os clãs do norte se unificaram e declararam a sua independência com a formação da República da Somalilândia. Mesmo sem reconhecimento internacional, essa região acabou firmando a sua autonomia com uma forma de governo própria. Em meio a crise política, a grave situação de fome e miséria impeliu a ONU a intervir na Somália com o oferecimento de mantimentos para a população menos favorecida.

Em pouco tempo, os recursos levados pela ONU instigaram o acirramento entre as milícias que controlavam as várias vias de acesso do país. Desse modo, a Organização das Nações Unidas autorizou a chegada de tropas norte-americanas que poderiam utilizar a força para garantir o trabalho humanitário e buscar uma resolução àquela delicada situação política. Contudo, em 1994, essa crise acabou se potencializando com a permanente atuação das milícias e a saída do exército estadunidense da região.

No ano de 2000, a crise política e os constantes conflitos internos foram discutidos em uma reunião no Djibuti, onde houve a reunião de 200 delegados somalis. O evento acabou estabelecendo a criação de uma Assembleia Nacional e repassou o governo ao presidente Abdulkassim Salad Hasan. No mês de outubro, o novo governo foi formado. Logo em seguida, alguns grupos armados dissidentes não reconheceram a nova autoridade e, com isso, preservaram o desgastante estado de guerra.

Em 2004, uma nova reunião tentou reatar o diálogo entre os clãs e os grupos armados para a formação de um parlamento capaz de reorganizar a nação somali. A partir de então, a influência e a predominância da religião muçulmana acabou estabelecendo a adoção de leis islâmicas para todo o território. Entretanto, o alcance da paz foi novamente ameaçado quando os grupos islâmicos armados do país resolveram declarar guerra a Etiópia, país vizinho apoiado pelos Estados Unidos.

A invasão das tropas etíopes acabou aprofundando o caos, a miséria e a fome que se arrastam entre a população somali. Somente em 2008, um acordo de cessar fogo conseguiu empreender a paz entre os dois países. Em janeiro de 2009, a completa saída da Etiópia do país foi seguida pela organização de um novo Parlamento agora tomado pela oposição islâmica moderada. Ainda hoje, o novo governo enfrenta a ação das milícias islâmicas de orientação radical, como o a do grupo Al Shabab.

23/08/2014

Canjica

Há a possibilidade de ser originária do quicongo – língua banta falada pelos quicongos em Angola – kanjika como sinônimo de papa de milho grosso cozido.
Acredita-se que a canjica tenha chegado ao Brasil com os escravos e era alimento bastante comum nos quilombos e senzalas. Da senzala para a casa grande, a canjica ganhou novos ingredientes. Com o hábito de se comer diversos derivados de milho bastante difundido, o prato se popularizou de norte a sul do Brasil. Antigamente, era prato quase obrigatório no jejum da Sexta-feira Santa, fazendo parte do hábito da data.
Nas festas juninas está sempre presente junto com outros alimentos à base de milho, como pipoca, pamonha e milho verde.

Ingredientes:
-250 g de canjica
-1 lata de leite condensado
-1/2 litro de água
-1 l de leite
-1 xícara de açúcar
-Cravo e canela a gosto
Modo de Preparo:
1.Coloque a canjica na panela de pressão com água por 40 min
2.Escorra a canjica e acrescente numa panela com o s demais ingredientes em fogo alto
3.Quando levantar fervura, abaixar o fogo e seguir mexendo de vez enquando por 30 minutos

19/08/2014

A Tribo Africana Himba: Organização Social, Economia , Crenças e Beleza Feminina

Himba é uma tribo Africana, com uma população entre 20.000 e 50.000 pessoas que habitam diversas áreas no norte da Namíbia. Nos últimos anos, eles ocasionalmente têm permitido que outras pessoas entrem no seu mundo. Uma das coisas que atrai os visitantes é a beleza surpreendente das mulheres Himba.

Os Himbas são na verdade semi-nômades que vivem na área do deserto quase completamente estéril, em condições de escassez aguda de água. Eles preferem viver dessa forma de vida, utilizando apenas o necessário para sobrevivência.


Economia
Os Himbas estão engajados na criação de gado, cabras e ovelhas. Na prática, as mulheres parecem responsáveis pelas vacas leiteiras. Além de cuidar de crianças, uma mulher pode cuidar de outras crianças da tribo. Muitas vezes elas fazem mais trabalho do que os homens: trazer água para a aldeia e construção das casas

Habitação
As casas dos Himbas têm uma forma cônica e é construída com árvores jovens, que são depois cobertas com lama e esterco.

Crenças
São preservadas as suas crenças tradicionais, incluindo o culto dos ancestrais e os rituais associados com o fogo sagrado (okoruvo), que é considerado um importante elo entre o mundo dos vivos e o mundo inferior. Quando um Himba morre, seu lar é destruído e o fogo é apagado. Sua família faz o ritual das danças na noite. Antes de seu funeral todos dizem: «Karepo nawa», que pode ser traduzido como: "Não te atormentes".

Roupa
Para essas pessoas, roupa, cabelo e ornamentos têm menor importância na sua cultura tradicional.
Mesmo recém-nascidos são adornados com colares de pérolas e crianças mais velhas usam pulseiras de cobre, decorado com conchas. As mulheres usam saias de pele de cabra, decorado com conchas e jóias de cobre. Tanto homens como mulheres cobrem seus corpos com uma mistura de cinza e gordura para proteger sua pele do sol. Muitas vezes nesta pasta adiciona resina aromática. A mistura dá na pele um tom avermelhado que simboliza o sangue, e simboliza a vida. As mulheres tem cabelos trançados também coberto com esta mistura



11/08/2014

Os 10 hotéis de selva mais fantásticos da África #3 (Final)

7 – O país vizinho ao Quênia, Uganda, também oferece acomodações super confortáveis e em grande estilo. Neste lodge, os chalés estão localizados em uma área montanhosa com vista para um dos mais belos lagos do país.



8- O Giraffe Mannor faz jus ao nome: girafas adentram algumas acomodações através das enormes janelas que compoem o belissimo local. O hotel é tão conhecido (e caro) que personalidades como Mick Jagger, Brooke Shields e o ator Ewan McGregor já se hospedaram lá.



9 – Na reserva de Moremi, em Botswana, existe um lodge que possui uma cama na área externa do quarto, onde o hóspede poderá admirar o céu estrelado, sem perder o conforto!



10 – O The Ark é o único lodge no parque de Aberdare no Quênia, todo construído em madeira, ele possui diversos ambientes como sala de TV, salão de jogos, bar, restaurante além de ter vários recintos dedicados a observação da vida selvagem. Um lago estratégicamente localizado em frente ao local garante a presença de animais dia e noite.



FIM!


04/08/2014

Vestimentas Africanas

A Africa é um continente enorme, com numerosas culturas e milhares de tribos diferentes, cada uma com suas próprias tradições e idiomas. Portanto, um assunto como "roupas africanas" inclui diversos tipos de roupas. Além disso, as vestimentas são muito influenciadas pelo clima e pelas atividades diárias da pessoa. O algodão e a seda tradicional da África são feitos de fibras naturais ou orgânicas e duram muito, além de, geralmente, serem muito coloridos.


Primeiras vestimentas
Os antropólogos acreditam que as primeiras vestes surgiram na África, há cerca de 75 mil anos atrás, provavelmente feitas a partir de couro e pele animal, que eram usadas para fazer tangas e coberturas para o corpo. Em algumas localizações geográficas, penas e conchas foram usadas para os primeiros adornos. Nas áreas tropicais, as roupas eram feitas das cascas internas de árvores como a figueira. Batia-se na casca com um martelo de madeira, uma pedra ou um osso até que amaciasse, então as camadas separadas eram sobrepostas em camadas maiores, depois eram secas e decoradas.

Aso-Oke nigeriano
Apesar dos estilistas às vezes adicionarem elementos modernos, os africanos ainda fazem muitas roupas com séculos de tradição. Um dos trajes mais conhecidos da Nigéria, que é usado para eventos especiais, é chamado "Aso Ilu Oke," também conhecido por "Aso-Oke" ou "Aso-Ofi". Nestes, o material é tecido em um tear e, em seguida, os painéis separados são costurados lado a lado, formando um padrão. O Aso Ilu Oke feminino é composto por um vestido de manga comprida e cintura fina, um acessório específico de cabeça e um xale.

Danshiki africano
Uma veste africana masculina (atualmente usada também por mulheres) muito popular é o "danshiki" ou "dashiki". É uma camisa longa com ou sem mangas que normalmente vai até o começo das coxas e é bordada ou decorada com uma variedade de desenhos, principalmente em volta da área do pescoço. Os homens normalmente o usam com um "kufi" sem aba ou com um chapéu.

Caftan africano
Roupas africanas são conhecidas pela variedade de estampas decorativas e pelas cores vivas. O "caftan" ou "kaftan", por exemplo, é uma veste longa com ou sem mangas que hoje é geralmente usado por mulheres. Antigamente, entretanto, os homens africanos também o usavam normalmente. Pesquisadores reportam ainda que os antigos egípcios, como Cleópatra, usavam caftans de seda decorados. O termo "caftan" tornou-se uma palavra genérica e é usado em toda a África e em outras partes do mundo.

Vestidos tradicionais da África do Sul
As mulheres que usam o vestido tradicional do povo Xhosa, da África do Sul, utilizam um xale ou uma manta sobre o ombro e uma saia longa que muitas vezes é enfeitada com tranças. Suas cabeças são cobertas com um turbante amarrado bem solto. Para eventos especiais, o vestido pode ser decorado com um bordado de contas.
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