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02/09/2014

Comores


GEOGRAFIA:
Capital: Moroni
Idioma: Árabe, francês e shikomor
Governo: República Federal
Presidente: Ikililou Dhoinine
Independência: 6 de julho de 1975 
Área: 1. 862

POPULAÇÃO:
População: 737.284 (Julho 2011 est.)
Distribuição da idade: 0-14 anos: 41,6% (homens 166.141/mulheres 164.788) 
15-64 anos: 55,3% (homens 217.046/mulheres 222.093) 
65 anos ou mais: 3,1% (homens 11.053/mulheres 13.562) (2011 est.)
Taxa de crescimento: 2,063% (2011 est.)
Taxa de nascimento: 31,49 nascimentos/1.000 habitantes (2011 est.)
Taxa de mortalidade: 8,19 mortes/1.000 habitantes (July 2011 est.)
Taxa de migração: -2,68 migrante(s)/1.000 habitantes (2011 est.)
Taxa de mortalidade infantil: total: 68,97 mortes/1.000 nascimentos 
Taxa de alfabetização:  população total: 56,5% 
homens: 63,6% 
mulheres: 49,3% (2003 est.)
Crianças menores de 5 anos abaixo do peso normal: 25% (2000)
Gasto com saúde: 3,4% do PIB (2009)
Densidade de médicos: 0,15 médicos / 1.000 habitantes (2004)
Leitos hospitalares per capita: 2,2 leitos / 1.000 habitantes (2006)

ECONOMIA:
Taxa de desemprego: 20% (1996 est.)
População abaixo do nível de pobreza: 60% (2002 est.)
Eletricidade - produção: 52 milhões kWh (2008 est.)
Eletricidade - consumo: 48,36 milhões kWh (2008 est.)
Exportações: $16,3 milhões (2011 est.) 

Importações: $215,2 milhões (2011 est.) 


31/08/2014

Chade


GOVERNO:
Capital: N'Djamena 
Coordenadas geográficas: 12 06 N, 15 02 E 
Independência: 11 Agosto 1960
Nome Oficial:  República do Chade
Área: 1.284.000 km²
Idioma: árabe e francês (oficiais) e línguas regionais
Religiões principais:  islamismo (cerca de 58%)

POPULAÇÃO:
População: 10.975.648 (Julho 2011 est.)
Distribuição da idade: 0-14 anos: 46% (homens 2.510.656/mulheres 2.441.780) 
15-64 anos: 51% (homens 2.531.896/mulheres 2.960.406) 
65 anos ou mais: 2,9% (homens 131.805/mulheres 182.402) (2011 est.)
Taxa de crescimento: 1,98% (2011 est.)
Taxa de nascimento: 38,7 nascimentos/1.000 habitantes (2011 est.)
Taxa de mortalidade infantil: total: 93,61 mortes/1.000 nascimentos 
homens: 99,39 mortes/1.000 nascimentos 
mulheres: 87,6 mortes/1.000 nascimentos (2011 est.)
Taxa de migração: -3,74 migrante(s)/1.000 habitantes (2011 est.)
AIDS/HIV- taxa de incidência da população adulta: 3,4% (2009 est.)
AIDS/HIV – mortes (ano): 11.000 (2009 est.)
Crianças menores de 5 anos abaixo do peso normal: 33,9% (2004)
Densidade de médicos: 0,04 médicos / 1.000 habitantes (2004)
Leitos hospitalares per capita: 0,43 leitos / 1.000 habitantes (2005)

ECONOMIA:
Produto Interno Bruto (PIB): $19.69 bilhões (2011 est.) 
Produto Interno Bruto (PIB) per capita: $1,900 (2011 est.) 
População abaixo do nível de pobreza: 80% (2001 est.)
Eletricidade - produção: 100 milhões kWh (2008 est.)
Eletricidade - consumo: 93 milhões kWh (2008 est.)
Petróleo - produção: 126,200 barris/dia (2010 est.)
Petróleo - consumo: 2,000 barris/dia (2010 est.)
Petróleo - exportações: 115,000 barris/dia (2009 est.)
Petróleo - importações: 1,837 barris/dia (2009 est.)
Exportações: $4,088 bilhões (2011 est.) 
Exportações - destino: US 71,9%, China 16,9%, Holanda 4,6% (2009)
Importações: $3,546 bilhões (2011 est.)

TELECOMUNICAÇÕES:
Telefones - linhas telefônicas terrestres no uso: 51,200 (2009)
Telefones - linhas móveis (celular): 2,614 milhões (2009)

Número de usuários do Internet: 168.100 (2009)




30/08/2014

Belezas naturais de Angola

Angola, um país que esbanja beleza! Essas são fotos tiradas em vários lugares de Angola, verdadeira maravilhas naturais

Deserto do Namibe

Ilha do Mussulo 

Barra do Dande 

Grutas do Nzenzo

Rio Cuito
Miradouro da Lua

Quedas de Kalandula

Fenda Tundavala

Grutas da Sassa

Cataratas do Ruacaná

Pedras Negras de Pungo Andongo

 Praia da Caotinha

Camarões


DADOS PRINCIPAIS:
Capital: Laundê.
Presidente: Paul Biya
Governo: República presidencialista.
Divisão administrativa: 10 províncias.
Idiomas: Francês e inglês (oficiais), principais línguas regionais: fang, balimequê, duala.
Religião: Cristianismo 54,2% (católicos 26,5%, protestantes 20,7%, outros 7%), crenças tradicionais 23,7%, Islamismo 21,2%, sem religião e ateísmo 0,4%, Bahaísmo 0,4%.
Moeda: Franco CFA

DADOS GEOGRÁFICOS:
Extensão territorial: 475.442 km².
Localização: África.
Clima: Tropical (ao norte) e Equatorial (ao sul).

POPULAÇÃO:
Total: 19.521.645 habitantes. (Homens: 9.758.751; Mulheres: 9.762.894).
Composição Étnica: Camarões 31%, bantos 19%, quirdis 11%, fulanis 10%, outros grupos étnicos autóctones 29%.
Densidade demográfica: 37 hab/km².
Taxa média anual de crescimento populacional: 2,3%.
População residente em área urbana: 57,6%.
População residente em área rural: 42,4%.
População subnutrida: 23%.
Esperança de vida ao nascer: 50 anos.
Domicílios com acesso a água potável: 70%.
Domicílios com acesso a rede sanitária: 51%.
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): 0,460 (baixo)..
Produto Interno Bruto (PIB): 20.606 milhões de US$.
PIB per capita: 1.111 de US$.

CULTURA:
A sua cultura se traduz na arte de viver, nas tradições, no folclore e no artesanato de suas populações. Assim, o Cameroun representa uma África em miniatura e se apresenta como um ponto de cruzamento dos povos e de civilizações, uma extraordinária multiplicidade de população, trazendo cada uma delas as suas tradições, a sua arte a sua música.
O " Nogndo" é uma festa ritual dos povos da costa, com uma mistura de magia, dança, máscaras e corridas de piroga.
Os funerais a oeste e a norte, são um pretexto para grandes cerimônias muito coloridas, em honra dos defuntos.
As fantasias no norte dão lugar a magnificas cavalgadas coloridas.


29/08/2014

Cabo Verde


DADOS PRINCIPAIS:
Nome oficial: República de Cabo Verde.
Nacionalidade: Cabo-verdiana.
Data nacional: 5 de julho (Independência).
Capital: Cidade de Praia.
Cidades principais: Cidade de Praia (95.000) (1998); Mindelo (47.109), São Felipe (5.616) (1990).
Idioma: português (oficial), crioulo.
Religião: cristianismo 100% (católicos 95,9%, protestantes e outras 4,1%) (1995).

GEOGRAFIA:
Localização: oeste da África, oceano Atlântico.
Hora local: + 1h.
Clima: tropical.
Área: 4.033 km2.

POPULAÇÃO:
Total: 430 mil (2000), sendo crioulos 71%, grupos étnicos autóctones 28%, europeus ibéricos 1% (1996).
Densidade: 106,12 hab./km2.
População urbana: 59% (1998).
População rural: 41% (1998).
Crescimento demográfico: 3% ao ano (1998).
Fecundidade: 3,56 filhos por mulher (1995-2000).
Expectativa de vida M/F: 65,5/71 anos (1995-2000).
Mortalidade infantil: 56 por mil nascimentos (1995-2000).
Analfabetismo: 26,5% (2000).
IDH (0-1): 0,688 (1998).

POLÍTICA:
Forma de governo:
República parlamentarista.
Divisão administrativa: 9 ilhas e 14 condados.
Principais partidos: Movimento para a Democracia (MPD), Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).
Legislativo: unicameral - Assembléia Nacional, com 72 membros eleitos por voto direto para mandatos de 5 anos.
Constituição em vigor: 1992. 


LÍNGUA
A língua oficial de Cabo Verde é  o português. Porém,  a comunicação oral entre os habitantes das várias ilhas faz-se  em caboverdiano (crioulo). Pólo fulcral de união de todos os caboverdianos, este código é a resultante do cruzamento do português com as línguas das costas da Guiné. O caboverdiano foi desde cedo uma língua franca sendo que, desde o século XVI se expandiu para a costa africana onde se comerciavam vários produtos. No quadro colonial, onde supostamente o português deveria ter sido a língua veicular, paradoxalmente, o crioulo foi utilizado como língua de ensino (catequização de escravos), pelas próprias instituições religiosas portuguesas. De onde se conclui da sua importância, desde muito cedo,  nas nossas ilhas. Cabo Verde, inserido na comunidade de língua portuguesa, obviamente fez uma opção clara de união e de estreitamento de relações entre falantes do mesmo código e de afectos.

GASTRONOMIA:
Cabo Verde oferece uma variada escolha gastronômica de origem do mar. Torna-se quase desnecessário dizer que as ofertas de pratos oriundos de frutos do mar, peixe e marisco, são as mais variadas possíveis. Lagosta, perceves, lapa, búzio, sem esquecer as famosas ‘bafas' fazem as delícias dos apreciadores de marisco. O atum fresco, cozinhado em caldeirada, cebolada ou simplesmente grelhado é uma excelente alternativa A base da cozinha popular cabo-verdiana é o milho que, preparado de diferentes maneiras, acompanha, normalmente, a carne de porco, o feijão, a mandioca e a batata-doce. O mais conhecido e apreciado prato é a ‘Cachupa' - a receita nacional, emblemática de Cabo Verde. Não esquecer o xerém, o cuscuz e os pastéis de milho. E visitando Cabo Verde prove também o potente e famoso grogue local e os licores caseiros.


Burundi


DADOS PRINCIPAIS:

Nome Oficial:  República do Burundi
Área: 27.834 km²
Capital: Bujumbura
População: 8,3 milhões (estimativa 2009)
Nacionalidade: burundinesa
Governo: República Presidencialista
Localização geográfica: centro-leste da África
Clima: Tropical

ECONOMIA:
PIB (Produto Interno Bruto): US$ 1,2 bilhão (2008) 
Moeda: franco burundinês
Principal produto é o café

DADOS CULTURAIS E SOCIAIS:
Composição da População: hutus (85%), tutsis (14%), pigmeus (1%)
Idioma: quirundi e francês (oficiais)
Religiões principais:  cristianismo (cerca de 92%)
IDH: 0,282 (2010) - desenvolvimento humano baixo

CULTURA:
Gastronomia:  frequentemente contém feijão vermelho, e geralmente não é acompanhada por alimentos doces ou de sobremesa. Durante as celebrações e as reuniões, Burundians bebem o vinho de banana feito em casa e a cerveja, às vezes bebendo por palhas de um grande container único.
Música: Tradicionais batuques é uma parte importante do património cultural Burundi. Frequentemente acompanha as danças e tradicionais batuques, que é frequentemente visto em festas e encontros familiares. Alguns artesãos de Burundi têm músicas especiais para acompanhar as diferentes fases do seu trabalho.


Burkina Faso


Burkina Faso ou Burquina Faso, antigo Alto Volta~, possui pior taxa de alfabetização do mundo (23,6%).

Capital: Ouagadougou
Presidente: Blaise Compaoré
Moeda: Franco CFA ocidental
 Área: 274.200 quilômetros quadrados
Religião: Crenças tradicionais 44,8%, Islamismo 43%, Cristianismo 12,2% (católicos 9,8%, protestantes 2,4%) (1980).
População: 16,46 milhões (2012)
Clima: O terreno é verde no sul, com florestas e árvores de fruto, e desértico no norte. A maior parte do Burkina Faso central fica num planalto baixo, coberto por savana, a uma altitude de 200 - 300 metros, com campo aberto, bosques e árvores isoladas. 

Economia: O Burkina Faso é um dos países mais pobres do mundo, com alta densidade demográfica e uma renda per capita inferior a US$ 300. Mais de 80% da população do país depende da agricultura de subsistência, altamente vulnerável à escassez de chuvas.


28/08/2014

Botswana


Seu nome oficial é República do Botswana, anteriormente chamava-se Bechuanalândia adotou esse nome após a independência em 30 de setembro de 1966.
Capital: Gaborone
Presidente: Ian Khama
Moeda: Pula
Religião:  crenças tradicionais 49,2%, Cristianismo 50,2% (protestantes 29%, cristãos africanos 11,8%, católicos 9,4%), outras 0,6%.
Agricultura: criação de gado, sorgo, milho, amendoim, feijão, feijão-frade, semente de girassol.
Recursos Naturais: Os diamantes, cobre, níquel, sal, carbonato de sódio, potássio, carvão e minério de ferro.
Clima: O clima varia de desértico a semiárido, com invernos suaves e verões quentes.
 - O Botswana situa-se numa zona árida do interior da África meridional. É um país bastante plano, ocupado quase por completo por um planalto com altitudes entre os 700 e os 1200 m, aumentando um pouco a rugosidade do terreno na extremidade oriental. O deserto do Kalahari ocupa o sudoeste do país, e a norte a depressão de Mababe é parcialmente ocupada pelo pântano do Okavango, onde termina o curso do rio Okavango, proveniente da Namíbia. 
Principal rio: Limpopo
Ponto Culminante:  Tsodilo Hills, com 1.489 m.
Feriados Nacionais: 1 de Janeiro – Ano novo
2 de Janeiro – Feriado Público
Sexta Feira Santa
Páscoa
Dia da Ascensão
1 de Julho - Dia de Sir Seretse Khama
19 de Julho – Dia do Presidente
20 de Julho – Feriado Público
30 de Setembro – Dia da Independência
25 de Dezembro – Natal
26/27 de Dezembro – Boxing Day


27/08/2014

Conflitos no Chade: sem luz no fundo do túnel (Pag 28 C.A)

Nos seus 48 anos de história como país independente, o Chade nunca teve uma mudança de Governo de forma democrática e livre. Todas as mudanças no comando do Estado fizeram-se sempre de uma forma violenta, através de um golpe militar. O que aconteceu em N’Djamena, no passado mês de Fevereiro é uma repetição exata daquilo que se passou, em Abril de 2006, quando um punhado de rebeldes, procedentes também do Sudão, entrou na capital, com o único objectivo de expulsar Idriss Deby do poder. Trata-se de mais um episódio da trágica história de um país que conta os seus anos de independência por épocas de guerra civil, rebeliões e golpes militares. No passado mês de Fevereiro, os rebeldes estiveram quase a consegui-lo. Só a perícia militar de Idriss Deby e a ajuda que recebeu do Exército francês impediram a sua derrota.
Curiosamente, todos os golpes militares que tiveram êxito partiram sempre do Sudão. Hissène Habré iniciou a sua ofensiva em Darfur. O próprio Deby organizou a tomada do poder no mesmo lugar. É a mesma história, repetida uma e outra vez: organiza-se a revolta do outro lado da fronteira – sempre com a conivência e o apoio do Sudão e o beneplácito da França –; cruza-se o país de leste para oeste e entra-se em N’Djamena. Assim de simples. Tudo depende da posição que tomem Cartum, por um lado, e Paris, pelo outro. Nesta ocasião, falhou uma das partes: a francesa. O apoio sudanês aos rebeldes compreende-se pela ajuda que o Governo chadiano está a dar aos rebeldes de Darfur que lutam contra Cartum; enquanto o apoio francês a Idriss Deby obedece a razões estratégicas. Para a França é capital que Deby continue à frente do país, porque a sua queda suporia uma grande instabilidade em toda a zona.



Poder a qualquer preço

O caso do Chade é, por um lado, uma peça do complicado quebra-cabeças que configura hoje a região do Darfur e, por outro, a desgraçada consequência da ambição dos seus dirigentes para se aproveitarem do ouro negro que alberga o seu subsolo.
A aliança dos três movimentos rebeldes que, em Fevereiro passado, atravessou o país, de leste para oeste, em apenas cinco dias, foi uma aliança de circunstâncias, criada à força, sob pressão do Sudão, para a ocasião. Mas, depois da derrota, a coligação desfez-se, para dar lugar a uma nova. No passado dia 28 de Fevereiro, o general Mahamat Nouri, líder da UFDD (União de Forças pela Democracia e pelo Desenvolvimento), uma das partes aliadas, anunciava a dissolução desta e apresentava uma nova aliança, chamada Aliança Nacional (AN), formada pela própria UFDD, liderada por ele mesmo; pela UFDD-Fundamental, liderada por Abdelwahid Abdoul Makaye; e pela Frente para a Salvação da República (FSR), de Ahmat Soubiane. A RFC (Reunião de Forças para a Mudança) de Timane Erdimi, sobrinho do presidente, fica fora desta nova coligação, embora Nouri não descarte a hipótese de colaborar com ela. Em todo o caso, esta reorganização evidencia as desavenças entre os dois principais líderes da aliança que esteve perto de conseguir o poder: Timane Erdimi e Mahamat Nouri. Erdimi é sobrinho do presidente Deby, da mesma etnia que ele, um zaghawa; enquanto Nouri é um gorane, a etnia do ex-presidente Hissène Habré, deposto a seguir ao golpe de Estado levado a cabo por Idriss Deby, em 1990. Ambas as etnias sempre foram inimigas entre si, pelo que uma aliança entre elas pouco podia durar.
Por outra parte, esta reorganização da oposição armada não é nada de novo. Já houve imensas reorganizações; de cada vez com um novo nome e com diferentes componentes; mas sempre com o mesmo objectivo: depor Idriss Deby. Uma vez conseguido o fim que justifica a aliança, não haverá mais nada que a motive e acontecerá a divisão, já que o objectivo de cada um dos seus líderes não é devolver ao país o caminho da liberdade e da justiça, mas afastar o actual presidente para ocupar de qualquer modo o seu lugar.

Ou Deby ou o caos

Toda esta andança de alianças e rupturas, de nomeações e destituições, só mostra uma coisa: que neste momento a situação política é caótica e que não se vislumbra nenhuma alternativa clara ao presidente chadiano; pelo menos no seio da rebelião armada. De facto, o apoio que está a receber de Paris obedece principalmente a que a França não vê nenhuma alternativa clara, se Deby deixar o poder. Das muitas afirmações que o próprio presidente chadiano fez durante a campanha eleitoral em 2006, há pelo menos uma com a qual todos os observadores estão de acordo, especialmente a França: «Ou eu ou o caos», proclamava o mandatário naquela ocasião, fazendo de tal afirmação uma verdadeira palavra de ordem eleitoral. Tal como estão as coisas no seio da rebelião, parece, desgraçadamente, que é verdade. Se o golpe de Estado de Fevereiro passado tivesse tido êxito, seguramente que hoje o Chade estaria mergulhado no caos e na guerra civil, com os líderes rebeldes lutando entre si para conquistar o poder.
Por outro lado, a presidência do país é um lugar muito cobiçado, desde que, em Outubro de 2003, começou a exploração de petróleo na região de Doba. É um docinho que atrai demasiado e que deu origem a uma série de dissensões e disputas, inclusivamente no círculo mais próximo do presidente Deby. Coincidindo com o início da exploração do ouro negro, Idriss Deby modificou a Constituição para poder ser reeleito indefinidamente e perpetuar-se no poder. Deby nunca deixará o poder por via democrática, o que leva a que haja cada vez mais grupos que vêem a solução armada como única saída. Entretanto, é o povo chadiano quem sofre com as consequências.
Deby está cada dia mais sozinho. Os zaghawa que o querem ver longe do «Palácio Rosa» (denominação popular do palácio presidencial) aumentam sem cessar. Criticam-no também por não estar a ajudar suficientemente os seus irmãos zaghawa que lutam no Darfur contra o Governo sudanês.

Oposição democrática

Se a oposição armada está dividida, a oposição democrática, que em 2006 boicotou as eleições, encontra-se atualmente na sombra. Os seus líderes ou estão na cadeia ou fora do país ou não se sabe nada deles. No passado 20 de Fevereiro, a Amnistia Internacional mostrava a sua preocupação pela sorte de Lol Mahamat Choua, Ngarlegy Yorongar e Ibno Mahamat Saleh, três dos principais líderes da oposição, detidos a 3 de Fevereiro, em N’Djamena. O primeiro, isolado numa prisão militar; e o segundo, a quem a França ofereceu asilo político, aparecido finalmente nos Camarões, depois de ter estado uns tempos em paradeiro desconhecido. Como se fosse pouco, no dia 15 de Fevereiro, o Governo chadiano decretava o estado de emergência, uma medida que autoriza os governadores regionais a controlar as movimentações da população e dos veículos e a proibir a maioria das reuniões, que permite ao Governo controlar o que se publica na imprensa e impõe um recolher obrigatório da meia-noite às seis da manhã. A imprensa privada não demorou a reagir e decidiu suspender todas as suas publicações, enquanto durar o estado de emergência, considerando-o um ataque mais às liberdades fundamentais.

A implicação do Sudão

Não se pode tratar o tema chadiano como uma simples questão interna. Para entendê-lo na sua totalidade é preciso cruzar a sua fronteira leste e olhar para o Sudão. O presidente chadiano, Idriss Deby, pertence à etnia zaghawa, uma das principais etnias que povoam a região do Darfur. Quando, em 1990, alcançou o poder, fê-lo exactamente da mesma maneira que intentaram os rebeldes, no passado mês de Fevereiro. Chegou vindo do Sudão, naquela ocasião com a conivência da França e à frente de um pequeno exército de soldados zaghawas. Muitos daqueles que, naquela ocasião, o ajudaram a conquistar N’Djamena, são os mesmos que, hoje, estão a enfrentar o Governo sudanês. Desde que começou o problema do Darfur e os rebeldes se levantaram em armas contra Cartum, Deby deparou-se com um grande dilema: por um lado, não podia defrontar o seu vizinho sudanês, mas, por outro, não podia deixar abandonados aqueles que, a seu tempo, tinham tornado possível ser ele hoje o presidente do Chade.
Deby sempre negou que o Chade estivesse a apoiar os rebeldes do Darfur; mas o certo é que lhes deu armas e deixou que utilizem o território chadiano como base e refúgio. De facto, alguns dos zaghawas que combatem no Darfur contra os soldados governamentais sudaneses fizeram parte da sua própria guarda presidencial. Este jogo para os dois lados virou-se contra ele. Os zaghawas que hoje lhe fazem frente (entre os quais está o seu próprio sobrinho, Tom Erdimí) fazem-no não só pela questão do petróleo, mas também porque se sentem defraudados e criticam-no por ter deixado em má situação os seus próprios irmãos.

Presença europeia

O Sudão sempre se opôs a um desdobrar de forças de segurança no Darfur. O facto de que o ataque a N’Djamena de Fevereiro passado tenha coincidido com o mesmo dia em que se tinha de desdobrar a EUFOR não é casualidade. A presença de soldados europeus no Darfur impediria ou dificultaria os seus planos de limpeza para poder explorar todos os recursos petrolíferos e aquíferos da zona. Com efeito, a EUFOR não pode entrar em território sudanês, está obrigada a permanecer em território chadiano ou centro-africano, sem autorização para cruzar a fronteira. Além disso, não se pode esquecer que mais de dois terços dos militares que compõem a missão são franceses; e o facto de que a França tenha apoiado Idriss Deby nas duas ocasiões em que N’Djamena se viu atacada, coloca em dúvida a sua neutralidade. Apesar de tudo, a presença da EUFOR servirá, se não para evitar, ao menos para mitigar as consequências de uma situação política tão instável e com tão poucas perspectivas de futuro. Terá de passar esta geração para que o Chade possa vislumbrar a luz ao fundo do túnel. Infelizmente, um túnel demasiado comprido.

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